sábado, 20 de julho de 2013

Cap.13- 2ª temporada

Puta merda.
               Ela está aqui, me olhando com uma expressão vazia, segurando uma arma. Meu subconsciente sucumbe a um desmaio, e eu acho que nem mesmo os sais de cheiro a trará de volta. Eu pisco repetidamente para Leila, enquanto minha mente devaneia. Como ela entrou? Onde está o Ethan? Puta merda! Onde está o Ethan? Um medo rastejante e frio aperta meu coração, e meu couro cabeludo se arrepia enquanto cada fio da minha acabeça se aperta em terror. E se ela o feriu? Eu começo a respirar rapidamente enquanto a adrenalina e meus ossos entorpecem com o medo que corre pelo meu corpo. Mantenha a calma, mantenha a calma, repito o mantra, mais e mais na minha cabeça. Ela inclina a cabeça para um lado, me olhando como se eu estivesse em exposição em um show de horrores. Jesus, eu não sou a anormal aqui. É como se uma eternidade se passasse, enquanto eu processo tudo isto, embora, na realidade, foi apenas uma fração de segundos. A expressão de Leila permanece vazia e sua aparência é tão desleixada e despenteada, como sempre. Ela ainda está usando aquele casaco sujo, e ela parece precisar desesperadamente de um banho. Seu cabelo está oleoso e liso, colado contra sua cabeça, e seus olhos
são de um castanho sem graça, nublado e vagamente confuso. Apesar do fato da minha boca estar seca, eu tento falar.

— Oi. Leila, não é? — Eu falo rouca. Ela sorri, mas é uma curva perturbadora em seus lábios, ao invés de um sorriso verdadeiro.

— Ela fala, — ela sussurra, sua voz é suave e rouca ao mesmo tempo, um som estranho.

— Sim, eu falo, — digo suavemente, como se ela fosse uma criança.
— Você está aqui sozinha? — Onde está Ethan? Meu coração se aperta com o pensamento de que ele poderia estar machucado.

Seu rosto se contrai tanto que eu acho que ela está prestes a explodir em lágrimas, ela parece tão infeliz.

— Sozinha, — ela sussurra.
— Sozinha. — E a profundidade de tristeza nesta única palavra, é de arrancar o coração. O que ela quis dizer? Eu estou sozinha? Ela está sozinha? Ela está sozinha porque machucou Ethan? Oh... não... Eu tenho que lutar contra o medo asfixiante que arranha minha garganta, enquanto as lágrimas ameaçam cair.

— O que você está fazendo aqui? Posso ajudar? — Minhas palavras são um calmo e suave questionamento, apesar do medo sufocante em minha garganta. Sua testa se enruga como se ela estivesse completamente confusa com minhas perguntas. Mas ela não faz nenhum movimento violento contra mim. Sua mão ainda está relaxada em torno de sua arma. Eu tomo um rumo diferente, tentando ignorar o arrepio no meu couro cabeludo.

— Você gostaria de um pouco de chá? — Por que estou perguntando se ela quer chá? É a resposta de Ray, para qualquer situação emocional que surja de forma inadequada. Jesus, ele teria um ataque se me visse neste exato minuto. Seu treinamento no exército emergiria e agora ele já a teria desarmado. Ela não está realmente apontando a arma para mim. Talvez eu possa me mover. Ela balança a cabeça e inclina-a de um lado para outro como se estivesse esticando o pescoço. Eu tomo uma profunda e preciosa inspiração de ar, tentando acalmar minha respiração em pânico e avanço em direção a ilha da cozinha. Ela franze a testa, como se não conseguisse entender o que estou fazendo, e se desloca um pouco para que ainda fique de frente para mim. Eu alcanço a chaleira e com a mão trêmula encho-a na torneira. Quando eu me movo, minha respiração alivia. Sim, se ela me quisesse morta, certamente já teria atirado em mim. Ela me olha com
um olhar ausente e curiosidade confusa. Quando eu ligo a chaleira, estou atormentada, meu pensamento se dirige para Ethan. Ele está machucado? Amarrado?

— Existe mais alguém no apartamento? — Pergunto hesitante.

                Ela inclina a cabeça para o outro lado e com sua mão direita, a mão que não segura o revólver, pega uma mecha de seu longo cabelo gorduroso e começa a enrolar e brincar com ele, puxando e torcendo. É obviamente um hábito nervoso, e enquanto estou distraída com isso, fico impressionada mais uma vez, no quanto ela se parece comigo. Eu prendo a respiração, à espera de sua resposta, a ansiedade se eleva a uma altura quase insuportável.

— Sozinha. Completamente sozinha, — ela murmura. Acho isso reconfortante. Talvez Ethan não esteja aqui. O alívio é reconfortante.

— Tem certeza de que não quer chá ou café?

— Não estou com sede, — ela responde baixinho, e dá um passo cauteloso em minha direção. Meu sentimento de fortalecimento evapora. Porra! Eu começo a ofegar, novamente com medo, sentindo-o aumentar e engrossar em minhas veias. Apesar disto e me sentindo além de valente, me viro e pego um par de xícaras no armário.

— O que você tem que eu não tenho? — Ela pergunta, sua voz assumindo a entonação melodiosa de uma criança.

— O que quer dizer, Leila? — Pergunto o mais delicadamente que eu posso.

— O Mestre, o Sr. Jonas, ele permite que você o chame pelo seu nome.

— Eu não sou sua submissa, Leila. O... Mestre entende que eu sou incapaz, inadequada para cumprir este papel.

Ela inclina a cabeça para o outro lado. É um gesto totalmente irritante e antinatural.

— I-na-de-quada. — Ela testa a palavra, sondando-a, vendo como sente isto em sua língua. 
— Mas o Mestre esta feliz. Eu o tenho visto. Ele ri e sorri. Essas reações são raras... muito raras para ele.

Oh.

— Você se parece comigo. — Leila muda de rumo, surpreendendo-me, seus olhos parecendo concentrar-se em mim adequadamente, pela primeira vez.
— O Mestre gosta de obedientes, que se pareça com você e eu. As outras, sempre as mesmas.. sempre as mesmas... e você ainda dorme em sua cama. Eu vi você.

Merda! Ela estava dentro do quarto. Eu não imaginava isso.

— Você me viu em sua cama? — Eu sussurro.

— Eu nunca dormi na cama do Mestre, — ela murmura. Ela é como um fantasma etéreo. Metade de uma pessoa. Ela parece tão franzina, e apesar do fato de que está segurando uma arma, de repente, me sinto cheia de simpatia por ela. Suas mãos flexionam em torno da arma, e meus olhos se arregalam, ameaçando
sair da minha cabeça.

— Por que o Mestre gosta de nós assim? Isso me faz pensar uma coisa... algo... O Mestre é escuro... o Mestre é um homem escuro, mas eu o amo.

Não, não, ele não é. Eu discordo internamente. Ele não é escuro. Ele é um homem bom, e não está na escuridão. Ele se juntou a mim na luz. E agora ela está aqui, tentando arrastá-lo de volta, com uma ideia distorcida de que o ama.

— Leila, você quer me dar à arma? — Pergunto baixinho. Sua mão agarra a arma com força e a abraça contra o peito.

— Isso é meu. É tudo que me resta. — Ela acaricia suavemente a arma.
— Então, ela pode se juntar ao seu amor.

               Puta merda! Que amor... Joseph? É como se ela me desse um soco no estômago. Eu sei que ele estará aqui em um momento para descobrir o que está me retendo. Será que ela vai matá-lo? O pensamento é tão horrível, sinto minha garganta inchar e doer como se formasse um enorme nó, quase me sufocando,
combinando com o medo que está enrolado firmemente em meu estômago. Logo em seguida, a porta é aberta com uma pancada, e Joseph está de pé na porta com Taylor atrás dele. Olhando-me brevemente, os olhos de Joseph me varrem da cabeça aos pés, e observo aquela pequena centelha de alívio em seu olhar. Mas seu alívio é passageiro, quando seus olhos se voltam para Leila e ainda concentrando-se sobre ela, não hesitando nem um pouco. Ele olha para ela com uma intensidade que eu nunca tinha visto antes, seus olhos estão selvagens, arregalados, irritados e com medo. Ah, não... oh não. Os olhos de Leila se arregalam, e por um momento, parece que retorna sua razão. Ela pisca rapidamente, enquanto aperta sua mão mais uma vez em volta da arma. Minha respiração trava em minha garganta, e meu coração começa a bater tão alto que eu ouço o sangue pulsando em meus ouvidos. Não, não, não! Meu mundo oscila precariamente nas mãos desta pobre e fodida mulher. Será que ela vai atirar? Em nós dois? Em Joseph? O pensamento é paralisante. Mas, depois de uma eternidade, pois o tempo está suspenso ao nosso redor, sua cabeça afunda levemente e ela olha para ele, através de seus longos cílios, sua expressão é contrita. Joseph levanta sua mão, sinalizando para Taylor ficar onde está. O rosto pálido de Taylor trai a sua fúria. Eu nunca o vi assim, mas ele permanece parado, enquanto Joseph e Leila se encaram. Eu percebo que estou prendendo a respiração. O que ela vai fazer? O que ele vai fazer? Mas eles simplesmente continuam a olhar um para o outro. A expressão de Joseph é primitiva, cheia de alguma emoção sem nome. Poderia ser piedade, medo, afeto... ou é amor? Não, por favor, amor não! Seus olhos perfuram-na, e dolorosamente lenta, a atmosfera no apartamento muda. A tensão está se elevando de um modo que eu posso sentir a conexão, a carga entre eles. Não! De repente, eu sinto que eu sou uma intrusa, intrometendo-me entre eles, enquanto eles permanecem encarando um ao outro. Eu sou alguém de fora, uma voyeur, espiando uma cena proibida e íntima por trás das cortinas fechadas. O olhar intenso de Joseph queima incandescente, e ele muda de rumo
sutilmente. Ele olha mais alto, mais angular de alguma forma, mais frio e mais distante. Eu reconheço essa postura. Eu já o vi assim antes, em sua sala de jogos. Meu couro cabeludo se arrepia de novo. Este é o Joseph dominante, e com que facilidade ele aparece. Se ele nasceu ou não para este papel, eu não sei, mas com o coração apertado e o estômago nauseado, eu vejo como Leila responde, seus lábios se abrindo, sua respiração se acelerando, enquanto o primeiro rubor mancha suas bochechas. Não! Isto é um indesejável vislumbre, do seu passado angustiante, para se testemunhar. Finalmente, ele fala uma palavra para ela. Eu não posso entender o que é, mas o efeito sobre Leila é imediato. Ela cai no chão de joelhos, a cabeça inclinada, e a arma cai e escorrega inutilmente pelo chão de madeira. Puta merda. Joseph caminha calmamente até onde a arma caiu, e se curva graciosamente para pegá-la. Ele a pega mal disfarçado desprezo, depois a desliza dentro do bolso de sua jaqueta. Ele olha mais uma vez para Leila, enquanto ela se ajoelha complacente ao lado da ilha da cozinha.

— Demetria, vá com Taylor, — ele ordena. Taylor cruza o limiar e olha para mim.

— Ethan, — eu sussurro.

— No andar de baixo. — Ele responde com naturalidade, seus olhos nunca deixam Leila.

No andar de baixo. Não aqui. Ethan está bem. Uma inundação de alívio, forte e rápida, atravessa meu sangue e por um momento acho que vou desmaiar.

— Demetria, — o tom de Joseph é cortante em alerta.

Eu pisco para ele, e de repente, sou incapaz de me mover. Eu não quero deixá-lo, deixá-lo com ela. Ele se move para ficar ao lado de Leila, enquanto ela se ajoelha aos seus pés. Ele está pairando sobre ela, protetor. Ela está tão quieta, é antinatural. Eu não posso tirar meus olhos dos dois, juntos...

— Pelo amor de Deus, Demetria, faça como lhe peço, pela primeira vez na sua vida e vá! — Os olhos de Joseph travam com os meus, enquanto ele olha furioso para mim, sua voz tem um aborrecido e frio fragmento de gelo. A raiva sob o silencio, expelida intencionalmente em suas palavras, é palpável. Com raiva de mim? Certamente que não. Por favor, não! Eu sinto como se ele me estapeasse forte. Por que ele quer ficar com ela?

— Taylor. Leve a senhorita Lovato para baixo. Agora.

Taylor acena para ele, enquanto olho para Joseph.

— Por quê? — Eu sussurro.

— Vá. Volte para o apartamento. — Seus olhos brilham friamente para mim.
— Eu preciso ficar sozinho com Leila. — Ele diz com urgência.

               Acho que ele está tentando transmitir algum tipo de mensagem, mas estou tão abalada por tudo o que aconteceu, que não tenho certeza. Eu olho para Leila e percebo um pequeno sorriso atravessar seus lábios, mas por outro lado, ela permanece verdadeiramente impassível. Uma submissa completa. Porra! Meu coração treme. Isto é o que ele precisa. Isto é o que ele gosta. Não! Eu quero chorar.

— Srta. Lovato. Demi. — Taylor estende sua mão para mim, implorando-me para vir. Estou imobilizada pelo espetáculo horrível diante de mim. Isto confirma os meus piores medos e brinca com todas as minhas inseguranças: Joseph e Leila juntos

— o Dominante e sua Submissa.

— Taylor, — Joseph pede, e Taylor se inclina e segura os meus braços. A última coisa que vejo quando nós estamos saindo é, Joseph delicadamente acariciando a cabeça de Leila, enquanto murmura algo baixinho para ela.

Não!

           Quando Taylor me leva escada abaixo, eu permaneço inerte em seus braços tentando entender o que aconteceu nos últimos dez minutos, foi há mais tempo? Ou menos? O conceito de tempo me abandonou.
Joseph e Leila, Leila e Joseph... juntos? O que ele está fazendo com ela agora?

— Jesus, Demi! Que diabo está acontecendo?

               Estou aliviada ao ver Ethan, quando ele entra no pequeno átrio, ainda carregando sua grande mochila. Oh, graças a Deus ele está bem! Quando Taylor me leva para baixo, eu praticamente me jogo sobre Ethan, passando os braços em volta de seu pescoço.

— Ethan. Oh, graças a Deus! — Eu o abraço, mantendo-o perto. Eu estava tão preocupada, e por um breve momento, aproveito uma pausa em meu pânico crescente, sobre o que se desenrola lá em cima, no meu apartamento.

— Que diabos esta acontecendo, Demi? Quem é esse cara?

— Oh, desculpe, Ethan, este é Taylor. Ele trabalha com Joseph. Taylor, este é Ethan, irmão de minha colega de quarto.

Eles acenam um para o outro.

— Demi, lá em cima, o que está acontecendo? Eu estava pegando as chaves do apartamento, quando estes caras saltaram do nada e me agarraram. Um deles era Joseph... — A voz de Ethan se arrastou.

— Você estava atrasado... Graças a Deus.

— Sim. Eu encontrei um amigo de Pullman, nos tomamos uma bebida rápida. Lá em cima, o que está acontecendo?

— Há uma garota, uma ex de Joseph. Em nosso apartamento. Ela está irritada e Joseph está... — Minha voz quebra e as lágrimas inundam em meus olhos.

— Ei, — Ethan sussurra e me puxa para perto mais uma vez.
— Alguém chamou a polícia?

— Não, não é preciso. — Eu soluço em seu peito e agora que comecei, eu não consigo parar de chorar, a tensão deste último episódio é liberada através das minhas lágrimas. Ethan aperta os braços a minha volta, mas sinto a sua estupefação.

— Ei, Demi, vamos tomar uma bebida. — Ele acaricia minhas costas, sem jeito. De repente, sinto-me estranha, extremamente envergonhada, e com toda a honestidade, eu quero ficar sozinha. Mas eu aceno, aceitando sua oferta. Eu quero estar longe daqui, longe de tudo que está acontecendo lá em cima.

Viro-me para Taylor.

— O apartamento foi verificado? — Pergunto-lhe em lágrimas, limpando o nariz com as costas da minha mão.

— Hoje à tarde. — Taylor dá de ombros como se desculpando, me dando um lenço. Ele parece arrasado. — Sinto muito, Demi, — ele murmura.

Eu franzo a testa. Puxa, ele parece tão culpado. Eu não quero fazê-lo se sentir pior.

— Ela parece ter uma incrível capacidade de nos iludir, — acrescenta carrancudo novamente.

— Ethan e eu vamos beber alguma coisa, depois volto para o Escala. — Eu enxugo meus olhos.

Taylor equilibra de um pé para outro, desconfortável.

— O Sr. Jonas quer que você volte para o apartamento, — ele diz calmamente.

— Bem, nós sabemos onde Leila está agora. — Eu não posso manter a amargura fora de minha voz.
— Então, não há necessidade de toda essa segurança. Diga a Joseph que o vejo mais tarde.

Taylor abre a boca para falar e, em seguida, sabiamente, fecha-a novamente.

— Você quer deixar a sua sacola com Taylor? — Ethan pergunta.

— Não, eu vou mantê-la comigo, obrigada.

Ethan acena com a cabeça para Taylor, em seguida, conduz-me para fora, pela porta da frente. Tarde demais, me lembro de que deixei minha bolsa na parte de trás do Audi. Eu estou sem nada.

— Minha bolsa...

— Não se preocupe, — Ethan murmura, o rosto cheio de preocupação.
— Fica fria, é por minha conta.

Escolhemos um bar do outro lado da rua, sentamos em bancos de madeira, perto da janela. Eu quero ver o que está acontecendo, quem está vindo, e mais importante, o que está acontecendo. Ethan me dá uma garrafa de cerveja.

— Problemas com uma ex? — Diz ele suavemente.

— É um pouco mais complicado do que isso, — eu murmuro, abruptamente, cautelosa. Eu não posso falar sobre isso, eu assinei um acordo de não divulgação. E pela primeira vez, realmente me ressinto do fato, e que Joseph não tenha dito nada sobre rescindi-lo.

— Eu tenho tempo, — diz Ethan gentilmente e toma um longo gole de sua cerveja.
— Ela é uma ex, de anos atrás. Ela deixou seu marido por algum cara. Em seguida, umas duas semanas ou mais atrás, ele morreu em um acidente de carro, e agora ela veio até Joseph. — Eu dou de ombros.

Pronto, isto não dá muitas pistas.

— Veio atrás dele?

— Ela tinha uma arma.

— Que porra é essa!

— Ela não chegou a ameaçar alguém com isto. Eu acho que ela queria prejudicar a si mesma. Era, por isso que eu estava tão preocupada com você. Eu não sabia se você estava no apartamento.

— Eu entendo. Ela parece instável.

— Sim, ela é.

— E o que Joseph está fazendo com ela agora?

O sangue drena de meu rosto e a bílis sobe em minha garganta.

— Eu não sei, — eu sussurro.

Os olhos de Ethan se arregalam, — ele entende, finalmente.


               Este é o cerne do meu problema. Que diabos eles estão fazendo? Conversando, eu espero. Somente conversando. No entanto, tudo que posso ver no olho da minha mente é a sua mão, acariciando carinhosamente seus cabelos. Ela está perturbada e Joseph está preocupado com ela, isto é tudo, eu
racionalizo. Mas, no fundo da minha mente, meu subconsciente está balançando a cabeça tristemente. É mais do que isso. Leila foi capaz de satisfazer as suas necessidades de uma maneira que eu não pude. O pensamento é deprimente. Eu tento me concentrar em tudo o que fizemos nos últimos dias, de sua
declaração de amor, o seu humor sedutor, seu jeito brincalhão. Mas as palavras de Elena voltam para me provocar. É verdade o que dizem sobre os bisbilhoteiros. Você não sente falta... da sua sala de jogos?
Termino minha cerveja em tempo recorde, e Ethan oferece outra. Eu não sou muito boa companhia, mas para seu crédito, ele fica comigo, conversando, tentando levantar meu ânimo, falando sobre Barbados, Miley e as palhaçadas de Elliot, o que é uma maravilhosa distração. Mas é apenas isso: uma distração.
Minha mente, meu coração, minha alma, ainda estão naquele apartamento com meu Cinqüenta Tons e uma mulher que costumava ser sua submissa. Uma mulher que pensa que ainda o ama. Uma mulher que se parece comigo. Durante a nossa terceira cerveja, um grande Cruiser com janelas fortemente escurecidas, encosta ao lado do Audi na frente do apartamento. Reconheço o Dr. Flynn quando ele sai, acompanhado por uma mulher vestida com o que parece ser um pálido jaleco azul. Vislumbro Taylor enquanto ele os deixa
entrar pela porta da frente.

— Quem é esse? — Ethan pergunta.

— O nome dele é Dr. Flynn. Joseph o conhece.

— Que tipo de médico?

— Um psiquiatra.

— Oh.

               Nós observamos, e alguns minutos depois eles estão de volta. Joseph está carregando Leila, que está enrolada em um cobertor. O quê? Eu assisto horrorizada quando eles sobem todos no Cruiser, e ele dispara. Ethan olha para mim com simpatia, e me sinto desolada, completamente desolada.

— Posso tomar algo um pouco mais forte? — Peço a Ethan, com voz baixa.

— Claro. O que você gostaria?

— Um conhaque. Por favor.

               Ethan acena e se retira para o bar. Eu olho pela janela, para a porta da frente. Momentos depois, Taylor surge, sobe no Audi, e dirige-se para o Escala... depois de Joseph? Eu não sei. Ethan coloca um grande conhaque na minha frente.

— Vamos, Lovato. Vamos ficar bêbados.

               Soa como a melhor oferta que eu tive há um bom tempo. Nós brindamos, e tomo um gole do ardente líquido âmbar, o calor queima em uma distração bem vinda, a horrível dor florescendo em meu coração. É tarde, e eu me sinto confusa. Ethan e eu estamos trancados para fora do apartamento. Ele insiste em caminhar comigo de volta para o Escala, mas não vai ficar. Ele é chamado pelo amigo que conheceu mais cedo, para tomar uma bebida e em um encontro com ele.

— Então, esse é o lugar onde o Mogulvive. — Ethan assobia através de seus dentes, impressionado.

Concordo com a cabeça.

— Claro que você não quer que eu vá com você? — Ele pergunta.

— Não, preciso enfrentar isto, ou apenas ir para a cama.

— Vejo você amanhã?

— Sim. Obrigado, Ethan. — Eu o abraço.

— Você vai resolver isso, Lovato, — ele murmura em meu ouvido. Ele me libera e observa enquanto eu dirijo-me para o edifício.

— Até mais, — ele fala. Eu ofereço-lhe um sorriso fraco e me volto em seguida, pressionando o botão para chamar o elevador.

               As portas do elevador abrem, e eu passo para o apartamento de Joseph. Taylor não está esperando, o que é incomum. Abrindo as portas duplas, eu vou em direção a grande sala. Joseph está no telefone, andando pela sala perto do piano.

— Ela está aqui, — ele estala. Ele se vira para me encarar, enquanto ele desliga o telefone.
— Onde diabos você estava? — ele rosna, mas não faz nenhum movimento em minha direção.

              Que merda, ele está com raiva de mim? Ele é o único que passou sabe Deus quanto tempo com a maluca de sua ex-namorada, e ele está com raiva de mim?

— Você andou bebendo? — Ele pergunta, assustado.

— Um pouco. — Eu não acho que está tão óbvio.

Ele suspira e passa a mão pelos cabelos.

— Eu disse para você voltar para cá. — Sua voz é ameaçadoramente suave.
— São dez e quinze agora. Eu fiquei preocupado com você.

— Eu fui tomar uma bebida ou três com Ethan, enquanto você atendia sua ex, — eu silvo para ele.
— Eu não sabia quanto tempo você ficaria com... com ela.

Ele aperta os olhos e dá alguns passos em minha direção, mas, para.

— Por que você diz isto deste jeito?

Eu dou de ombros e olho para os meus dedos.

— Demi, o que há de errado? — E pela primeira vez, eu ouço algo diferente do que raiva em sua voz. O quê? Medo?

Eu engulo, tentando descobrir o que eu quero dizer.

— Onde está Leila? — Eu pergunto, olhando para ele.

— Em um hospital psiquiátrico em Fremont, — ele diz, e seu rosto está analisando o meu.
— Demi, o que é? — Ele se move em minha direção, até que está em pé bem na minha frente.
— O que há de errado? — Ele inspira.

Sacudo a cabeça.

— Eu não sou boa para você.

— O quê? — Ele respira, arregalando os olhos em alarme.
—Por que acha isso? Como pode pensar isto?

— Eu não posso ser tudo o que você precisa.

— Você é tudo que eu preciso.

— Bastou ver você com ela... — Minha voz se extingue.

— Por que você faz isso comigo? Isto não é sobre você, Demi. É sobre ela. — Ele inspira fortemente, passando a mão pelos cabelos novamente.
— Neste momento ela é uma garota muito doente.

— Mas eu senti isto... o que temos juntos.

— O quê? Não. — Ele me alcança, e eu dou um passo para trás instintivamente. Ele abaixa a mão, piscando para mim. Ele me olha como se estivesse tomado de pânico.

— Você está fugindo? — Ele sussurra com seus olhos arregalados de medo.

Eu não digo nada, enquanto eu tento recolher meus pensamentos dispersos.

— Você não pode, — ele pede.
— Joseph... Eu... — Eu me esforço para organizar meus pensamentos. O que estou tentando dizer?
— Eu preciso de tempo, tempo para processar isto. Dê-me um tempo.

— Não. Não! — Ele diz.

— Eu...

Ele olha freneticamente ao redor da sala. Por inspiração? Por intervenção divina? Eu não sei.

— Você não pode ir. Demi, eu a amo!

— Eu também te amo, Joseph, é apenas...

— Não... não! — ele diz em desespero e coloca as duas mãos na cabeça.

— Joseph...

— Não, — ele inspira, os olhos arregalados de pânico, e de repente, ele cai de joelhos na minha frente, a cabeça baixa, mãos de dedos longos espalhados em suas coxas. Ele respira fundo e não se move.

O quê?

— Joseph, o que você está fazendo?

Ele continua a olhar para baixo, sem olhar para mim.

— Joseph! O que você está fazendo? — Minha voz é aguda. Ele não se move.
— Joseph, olhe para mim! — Eu comando em pânico.

Sua cabeça levanta sem hesitação, e ele me fita passivamente com o calmo olhar cinzento, ele está quase sereno... expectante. Puta Merda... Joseph. O submisso.



Comentem bastante que tento postar hoje de noite xx
ps: comentários respondidos no cap anterior :)

23 comentários:

  1. Ansiosa & Aflita Charlotte20 de julho de 2013 14:59

    MEU DEUS! SO-COR-RO eu acho que... puta merda. Não tenho palavras para descrever esse capítulo, e esse final então?

    O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO JOSEPH?

    Eu quase chore.


    QUE PERFEITO AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

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    1. O que a Demi ta fazendo com Joe? FJDKNSDNFSD
      OBRIGADA POR COMENTAR

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    2. Obrigada por postar essa fic maravilhosa.


      Assim, com postar a noite, você quer dizer mais o menos que hora? ansiosaapontodecuspirorim

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  2. AIIIIIIIIII MEU DEOOS "Joseph. O submisso.", eu agora entendo pq cinquenta tons tem tantas fans [e mto confuso e viciante (e quente) ao mesmo tempo, nos deixa mais ansiosas a cada capitulo, isso é MAGICO. Lua poste hoje a noite e faça o mundo um lugar mais tudo...

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    1. KEJSNKJWENR ESSA HISTÓRIA É DMS!!!! Sou foda, faça aê hahhah vou tentar postar, comentem... já estou abrindo uma exceção que é postar final de semana

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  3. Respostas
    1. izaaaaaaaaaaaa socorro vc ta ansiosa dms

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  4. Ela não vai se separar dele né? Por favor não.
    O capitulo tá perfeito como sempre.
    Posta logo, please!!

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  5. Joseph. O subimsso.. vc quer me matar!? lua, posta logo? ainda tem cap hj?
    alice

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    1. awwwwn! responde meu coment :( estou aki forever alone

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    2. tem capitulo hoje sim, capítulo saindo agora....

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  6. OMG Joseph submisso Demetria poderosa, o seu blog tem um imã que me atrai estou viciada, faz uns chapter q n comento é que leio pelo celular mas estava c outro e n dava p comentar,bjo POSTA LOGO PQ EU N CONSIGO DORMI!!
    Ane xx

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